
antes de sair de casa repensei cada passo.
incrível como as coisas passam realmente como filme em nossas cabeças. mais incrível ainda já conhecermos o fim. previsibilidade. coisa de filme ruim. não surpreende em nada, não oferece nada, não paga o ingresso. você já sabia que as críticas todas eram terríveis mas como boa formadora de opinião preferiu assistir mesmo assim. para ter a sua visão e não apenas referências. você é diferente. quem sabe assim podia ser diferente.
então viu com os próprios olhos.
se incomodou com uma cena, e outra, se sentiu desconfortável com recursos apelativos aqui e ali, mas enxergava coisas boas, acreditava. não desistiu de acreditar. vai que..
vai que ainda é só o começo.
vai que ainda é superficial.
vai que...
é a fé.
fé no futuro. fé nas pessoas. fé em surpreender-se.
excesso de fé gera fanatismo. derruba parâmetros.
buscamos demais. acreditamos demais.
é a mesma coisa que querer comprar uma jóia cara num açougue qualquer. não tem. lá só vende carne. só isso.
no caminho continuei repensando no todo. nos detalhes. fiquei buscando algumas respostas que sinceramente fiz durante todo o tempo que me vi ali atuando naquele papel.
sim, de expectadora passei a protagonista.
grande desafio. muita coisa emprestei de mim para viver essa história, tantas outras não correspondiam ao que sou. mas o texto pedia e eu queria. queria ser a melhor. mas o roteiro era de pouca densidade, e quando é assim por melhor que seja a atuação, tudo se perde no caminho. difícil prender a atenção, difícil salvar de um fiasco.
era o meu Woody Allen versus o seu J. Gaspar.
não estávamos no mesmo filme.
o pouco. o mínimo. o nada foi a discussão de ontem.
para quem é muito é tão difícil conviver com o pouco. é tão difícil se contentar com migalhas.
e migalha é relativo. às vezes no seu melhor você ainda é migalha para alguém. depende do que se espera. do que se prioriza. e isso é tão particular.
enquanto andava pela rua, me vi em meio a um arado.
como um saco de estopas furado, perdendo sementes. me deixando pelo caminho em solo infértil. esvaziando sem germinar. sem brotar. só alimentando a terra de mim. olhei para trás e não vi flor alguma no chão. cansei e não tinha sombra alguma para descansar. tive fome e não tinha uma fruta para colher. só sementes mortas. descuidadas. não dá para recolher. estão jogadas por aí. e eu esvaziando.
Cheguei até Você em Sua casa com o coração na palma da mão. Melhor que ninguém pôde ver como ele estava. Deitei minha cabeça no Seu colo e chorei pelas minhas sementes. por todas que já perdi. queria todas de volta. são valiosas. são o melhor de mim. por que fui tão descuidada e fui entregando-as assim? Você me deixou chorar. nessas horas chorar é só o que limpa o que não dá para arrancar com as mãos. Então chorei o luto das minhas sementes. Quanta mais eu chorava, mais me doía tê-las perdido. Não conseguia te olhar nos olhos. Tamanha vergonha. Mas Você segurou meu rosto, enxugou minhas lágrimas, arrumou meus cabelos, e me olhou. e sorriu. E ali naquela hora eu tive a certeza que ninguém nunca vai me olhar como você me olha. Naquele momento eu tive a certeza que para Você as minhas sementes tem enorme valor. Porque foi Você que as plantou em mim. Soprou Seu ar em mim. E falou comigo.
Recomeçar. Foi o que me disse.
Recomeça hoje sua vida e não olha para trás. não chora mais pelo que não vingou. não cobra de ninguém o que não pode ser seu. não desanima porque não valeu.
Recomeça comigo. Sementes não te faltarão. E Te prometo fazê-las brotar. Na minha promessa você pode acreditar. O meu amor você pode Sentir. Quantas vezes você foi e voltou para mim. Eu deixo você ir. Eu deixo você se esvaziar. Eu deixo voltar para Mim assim. Para de uma vez por todas aprender que só Eu posso te preencher. Aos meus olhos você é a mais linda.
Me abraçou carinhosamente. Me agarrei no seu abraço. Me levou para casa. Me colocou para dormir. Me cobriu e prometeu ficar me olhando enquanto eu dormia. Eu abria os olhos vez ou outra e Você estava ali. Como eu sempre costumei fazer em outras noites por aí, nessa noite Você fez para mim. Abri os olhos pela manhã e Você permanecia ali. Costurou meu saco de estopa. Não dá nem para ver onde ficou o remendo. Encheu-o de sementes novamente. Encheu até a boca. E me entregou. Só me pediu cuidado. só me pediu cautela. Me pediu para não esquecer do valor que elas tem. do valor que eu tenho. Me pediu para olhar por onde ando. para quando plantá-las, plantá-las bem e não gastá-las em vão novamente.
Filme do dia: A vida é bela.
Música do dia: Sonho Impossível - Maria Bethânia.
"... eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar e sonhar sempre. pois sendo mais do que uma espectadora de mim mesma, eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso, e assim, me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário, para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis..." F. Pessoa.
incrível como as coisas passam realmente como filme em nossas cabeças. mais incrível ainda já conhecermos o fim. previsibilidade. coisa de filme ruim. não surpreende em nada, não oferece nada, não paga o ingresso. você já sabia que as críticas todas eram terríveis mas como boa formadora de opinião preferiu assistir mesmo assim. para ter a sua visão e não apenas referências. você é diferente. quem sabe assim podia ser diferente.
então viu com os próprios olhos.
se incomodou com uma cena, e outra, se sentiu desconfortável com recursos apelativos aqui e ali, mas enxergava coisas boas, acreditava. não desistiu de acreditar. vai que..
vai que ainda é só o começo.
vai que ainda é superficial.
vai que...
é a fé.
fé no futuro. fé nas pessoas. fé em surpreender-se.
excesso de fé gera fanatismo. derruba parâmetros.
buscamos demais. acreditamos demais.
é a mesma coisa que querer comprar uma jóia cara num açougue qualquer. não tem. lá só vende carne. só isso.
no caminho continuei repensando no todo. nos detalhes. fiquei buscando algumas respostas que sinceramente fiz durante todo o tempo que me vi ali atuando naquele papel.
sim, de expectadora passei a protagonista.
grande desafio. muita coisa emprestei de mim para viver essa história, tantas outras não correspondiam ao que sou. mas o texto pedia e eu queria. queria ser a melhor. mas o roteiro era de pouca densidade, e quando é assim por melhor que seja a atuação, tudo se perde no caminho. difícil prender a atenção, difícil salvar de um fiasco.
era o meu Woody Allen versus o seu J. Gaspar.
não estávamos no mesmo filme.
o pouco. o mínimo. o nada foi a discussão de ontem.
para quem é muito é tão difícil conviver com o pouco. é tão difícil se contentar com migalhas.
e migalha é relativo. às vezes no seu melhor você ainda é migalha para alguém. depende do que se espera. do que se prioriza. e isso é tão particular.
enquanto andava pela rua, me vi em meio a um arado.
como um saco de estopas furado, perdendo sementes. me deixando pelo caminho em solo infértil. esvaziando sem germinar. sem brotar. só alimentando a terra de mim. olhei para trás e não vi flor alguma no chão. cansei e não tinha sombra alguma para descansar. tive fome e não tinha uma fruta para colher. só sementes mortas. descuidadas. não dá para recolher. estão jogadas por aí. e eu esvaziando.
Cheguei até Você em Sua casa com o coração na palma da mão. Melhor que ninguém pôde ver como ele estava. Deitei minha cabeça no Seu colo e chorei pelas minhas sementes. por todas que já perdi. queria todas de volta. são valiosas. são o melhor de mim. por que fui tão descuidada e fui entregando-as assim? Você me deixou chorar. nessas horas chorar é só o que limpa o que não dá para arrancar com as mãos. Então chorei o luto das minhas sementes. Quanta mais eu chorava, mais me doía tê-las perdido. Não conseguia te olhar nos olhos. Tamanha vergonha. Mas Você segurou meu rosto, enxugou minhas lágrimas, arrumou meus cabelos, e me olhou. e sorriu. E ali naquela hora eu tive a certeza que ninguém nunca vai me olhar como você me olha. Naquele momento eu tive a certeza que para Você as minhas sementes tem enorme valor. Porque foi Você que as plantou em mim. Soprou Seu ar em mim. E falou comigo.
Recomeçar. Foi o que me disse.
Recomeça hoje sua vida e não olha para trás. não chora mais pelo que não vingou. não cobra de ninguém o que não pode ser seu. não desanima porque não valeu.
Recomeça comigo. Sementes não te faltarão. E Te prometo fazê-las brotar. Na minha promessa você pode acreditar. O meu amor você pode Sentir. Quantas vezes você foi e voltou para mim. Eu deixo você ir. Eu deixo você se esvaziar. Eu deixo voltar para Mim assim. Para de uma vez por todas aprender que só Eu posso te preencher. Aos meus olhos você é a mais linda.
Me abraçou carinhosamente. Me agarrei no seu abraço. Me levou para casa. Me colocou para dormir. Me cobriu e prometeu ficar me olhando enquanto eu dormia. Eu abria os olhos vez ou outra e Você estava ali. Como eu sempre costumei fazer em outras noites por aí, nessa noite Você fez para mim. Abri os olhos pela manhã e Você permanecia ali. Costurou meu saco de estopa. Não dá nem para ver onde ficou o remendo. Encheu-o de sementes novamente. Encheu até a boca. E me entregou. Só me pediu cuidado. só me pediu cautela. Me pediu para não esquecer do valor que elas tem. do valor que eu tenho. Me pediu para olhar por onde ando. para quando plantá-las, plantá-las bem e não gastá-las em vão novamente.
Filme do dia: A vida é bela.
Música do dia: Sonho Impossível - Maria Bethânia.
"... eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar e sonhar sempre. pois sendo mais do que uma espectadora de mim mesma, eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso, e assim, me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário, para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis..." F. Pessoa.
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