sexta-feira, 25 de setembro de 2009

hermético*

quando a poeira abaixa.
quando se consegue enxergar sem o nublado que turva nosso olhar, a razão e a emoção se restabelecem em seus devidos lugares. o chão batido de nosso coração anestesia de uma forma, que tudo que mais se temia não causa o impacto que se imaginava, e você chega a se orgulhar pela fibra de que é feita, e até acha engraçado ter dado tanta importância para o minimo.
sim. o minimo.
porque o máximo é o que não pode ser visto por mais ninguém.
o máximo vem de nós. de um para o outro.
o eu e você que só você e eu conhecemos.
a música toca alto, o clima contagia, um universo todo que nos cerca buscando reações que não veem, porque a sinceridade está na felicidade que se pode ter.
mais do que isso.
é se dar por satisfeito.
é até amar. e verdadeiramente.
porque é bom. porque faz bem. porque sublima. porque ocupa.
jamais aquele espaço.
mais ocupa também um espaço especial.
é um querer bem que se permite.
mas eu aqui. você ali.
perto ou distante. perto e distante. os dois.
porque o que só é visível a nós é o que nos une.
ponte que liga.
cordão umbilical. não que sai do corpo. que sai da alma.
carretel infinito.
por onde se vai.
de um lado eu. do outro você.
e entre nós tudo e nada.
nada que nos separe. tudo que nos distancia.
não preciso te olhar para saber quando me olha. não preciso te ligar para ter certeza que pensa em mim. nem preciso te ter por perto para te sentir presente. eu sei.
simples assim. como você sabe.
como você me sabe.
arroz com feijão.
o seu arroz com feijão com tempero de mãe. cozidos na hora, mais bife e batata frita. um monte de batata frita. e um copo enorme de coca cola. e um monte de salada. cuidadosamente temperada. seu ritual. seu jeito. o jeito que você gosta.
sua refeição preferida.
é como eu me vejo.
no seu cardápio eu sou o que melhor te sustenta. o que te dá maior certeza.
e aí que para mim é como se você vivesse num país com hábitos alimentares completamente diferentes. exótico. interessante. refinado.
desafia seu paladar.
mas é como se eu pudesse ver você sonhando com a fumacinha cheirosa que vem das panelas quando se tempera o feijão. parece que posso te enxergar salivando com o limão que espreme na sua salada.
eu sei a falta que eu te faço.
você sabe a falta que me faz.
te enxergo através do que veste. te vejo descortinado.
seu sorriso. seu olhar. seu carisma.
todo seu aparato que te mantem tão proximo e tão distante de todos.
a impressão de proximidade que dá e o esconderijo que é.
acredito que é feliz. acredito que é melhor. que é incrível.
mas sei que é incompleto. isso eu sei.
te falta um pedaço. que sou eu.
me falta um pedaço. que é você.
e aí que tá tudo bem, desde que consigamos ser pela metade.
que não se repete.
não mesmo.
nunca.
que não se mede porque é imensurável.
que não se pede porque já se tem. sem precisar pedir.
que não se toma porque só pertence a nós. a mais ninguém.
e assim vai ser... só enquanto nós respirarmos.
acima das coisas desse mundo.

filme do dia: separados pelo casamento.
música do dia: pratododia - o teatro mágico.

" como arroz e feijão é feita de grão em grão nossa felicidade. como arroz e feijão a perfeita combinação soma de duas metades. como feijão e arroz que só se encontram depois de abandonar a embalagem. mas como entender que os dois por serem feijão e arroz se encontram só de passagem. te jogo na panela, pra nela me perder, me sinto a vontade, que vontade de te ver. o dia do prato chegou é quando eu encontro você nem me lembro que foi diferente, mas assim como veio acabou e quando eu penso em você choro café e você chora leite. "












Um comentário:

  1. Samis, somos, fomos, cromos, cores, valores, imensuráveis, variáveis, sutil singularidade na pluraridade dos sentimentos vários, variáveis dentro de um qie não varia, nem varreria, esse...de outro mundo

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