terça-feira, 10 de novembro de 2009

passado.

até onde vira passado?
minhas histórias não são só minhas. são as histórias de tantos.
mais do que isso.
a história que eu começava a contar cruzou com uma história que eu não pertenço.
outra trama. outra densidade.
e aí que eu penso... não é possível.
porque é que existe esse laço invisível que nos une ao que já se foi e confunde tanto nosso espírito?
o que é que ainda prende?
o que pode ter restado?
mas a verdade é que todo mundo tem um passado. com a diferença que em alguns casos esse passado só se conjuga nesse tempo por condições alheias à nossa vontade.
você conjuga no ontem. eu conjugo no agora. no ainda.
então, pergunto novamente: até onde é passado?
como saber se o que existe é uma utópica nostalgia, uma saudade do que na verdade nunca existiu, ou uma certeza de que se existiram diferenças, agora não mais. agora vai ser o que já era para ter sido.
mas se já era para ter sido. por que não foi?
confuso?
confuso.
e eu só posso entender. só posso aceitar. só posso me colocar no lugar e imaginar como seria se fosse comigo. (como é comigo).
a insuportável sensação de não saber qual caminho escolher.
de um lado a fraqueza de não arriscar. jogar tudo para o alto e recomeçar no novo. sem medo de fracassos.
do outro um universo de momentos, de situações, de apegos, de motivos. que unem e separam.
ficar entre essas duas coisas. loucura.
e pior do que isso.
viver esperando o passado voltar. seguir se permitindo, mas em corpo somente. aventurando-se, divertindo-se, tudo lindo e delicioso.
mas sem coração... porque desculpa, no coração não cabe mais ninguém.
ele está guardado. está empoeirado. está trancado. mas já é de alguém. que vai voltar.
essa certeza é a pior.
pior para quem espera. pior para quem acredita que pode arrebentar as correntes e quebrar os cadeados desse coração confiante e teimoso.
houve espera? houve volta? então não há o que pensar.
assopra a poeira que se acumulou e despede-se com educação de quem por ele passou e tenta.
e recompensa.
toda a espera.
toda a saudade.
toda a ausência agora se preenchendo.
no meu mundo de pessoas que amo, algumas me surpreendem pela invejável coragem de se jogar do mais alto penhasco sem paráquedas.
e viver.
e receber.
tudo aquilo que a vida vem e oferece.
não olham para trás. se desamarram para ser livres para o novo. sem pestanejar. sem justificar. sem ficar ainda idealizando, o que já ficou claro que não é possível.
o que nos faz feliz? o que buscamos no outro? e se encontramos, o que nos faz perder? deixar ir embora? e depois de um tempo, o que nos faz acreditar que seria tudo diferente?
por que raios não foi diferente quando era para ser, se era o que nos fazia feliz.?
se era exatamente o que queríamos para a nossa vida.
Santo Deus.
me dá um nó na garganta.
porque se fosse para escolher...se fosse para mudar...se fosse isso....ou aquilo.... são tantos se que não ajudam em nada.
do alto do bolo de três andares tem quem chute um boneco e tranquilamente coloque outro no lugar.
tem bolos que são de cimento.
de protagonista à leitora. porque essa história não é minha mão que redige.
mas creio num final feliz. também para mim .


Filme do dia: Doce lar.
Música do dia: Final feliz - Jorge Vercillo.

"... meu amor acredite num final feliz"...

Um comentário: