quinta-feira, 13 de agosto de 2009

e eu desenhei um rosto feliz e ri.


porque tem dias que a gente acorda 220 volts. hoje eu acordei 440. ou mais.
e aí que todos os pensamentos vem ao mesmo tempo e o corpo não sabe qual deles obedecer. até na hora de digitar, na hora de formular a frase e tudo o mais.
fica num embaralhado só.
sabe aquela propaganda nova daquela operadora de celular que o cara azul solta pela boca um monte de letras pelo ar? mais ou menos assim. é a minha hiperatividade típica. é só a minha ansiedade descontrolada de todos os dias. é só ela um pouco desafinada. um tom acima. prefiro ela do que disritmia. do que esquizofrenia. deixa ela. tá bom assim. tem seu lado bem engraçado. eu bem que me divirto. como agora há pouco por exemplo, recebi um email daqueles coletivos com apresentações de slides com fórmulas de bem viver. e aí que quero morrer.
porque se existisse mesmo fórmulas e mágicas, a gente ia cometer tantas sandices e ficar na merd*? bom em se tratando de mim. acho que sim. acho que mesmo assim. e só me resta rir. porque contrariar a razão é muito minha cara sempre.
mas, embora contrariando minha intolerante e arrogante visão das coisas, esse meu olhar crítico que quase sempre acha tudo óbvio demais, piegas, darei o braço a torcer para algumas pérolas clássicas que dizem o suficiente, porque não é que eu desrespeite os clássicos, só não me aguento com a repetição sem profundidade de suas intenções. fico até triste em como desbotam suas belezas por uso excessivo e descontextualizado.
minha hiperatividade me torna impaciente e chata. pra não dizer arrogante. mas convenhamos viu.... para todo lugar que se olha tem uma frase bonita, uma citação famosa, um trecho de música. tudo lindo de se ler. de se pregar. mas e daí?
and so this is?
porque eu sou do bloco do fazer amor.
se me perguntarem com qual frequência eu faço amor, sem sombra de dúvida respondo que faço o tempo inteiro. faço amor em cada gesto meu. em cada olhar, em cada tocar, em minhas ações e omissões.
só falar pra mim não convence mais. não edifica em nada. porque ou cai nessa repetição de frase pronta, ou é o silêncio que perturba a curiosidade. o querer decifrar.
ele fala demais ou fala de menos.
então não me amparo nesse recurso frágil. só acredito no que vejo. no agir.
perdi a melancolia pelo caminho. será esse o tal do amadurecimento? sim, porque quando eu era novinha sofria ao som de bon jovi, roxette e jimmy cliff (mas já escrevia em diário, claro), sensação de que o mundo ia acabar no platonismo. Depois, já com mais idade, alguns momentos de desesperos extremados, expressados de tantas formas. Passional. sempre passional. E o chão que sumia aos pés. E os dias que se arrastavam em dor latente. Credo.
E chegamos no hoje.
E eu ouço assim_ não quero te ver triste.
E reajo assim: com um sorriso de canto. achando graça. porque é mesmo muito engraçado.
Na verdade eu tenho achado tudo muito engraçado. Talvez porque hoje eu saiba que todas as minhas impressões de para sempre na minha vida passaram e não deixaram rastros em nada. Talvez por essa certeza que sorrio cinica com os fracassos com que me deparo. É só mais um. Daqui a pouco começa tudo de novo. Porque é assim que funciona. Você conhece, reluta, estranha, compara, acostuma, admira, exalta, contesta, desacredita, sofre, perde, sofre de novo, sofre mais um pouco, pede pra morrer, e tenta esquecer, e lembra o tempo todo, e lembra quase sempre, e às vezes lembra, e de vez em quando lembra, e olha para o lado, e olham para o seu lado, e o sorriso dá o sinal, e começa tudo de novo, e aquele outro ? que outro? aquele que te dava sentido a vida? hahahahahahahahahaha... ah passou! nem era tudo isso.
Então não é pra rir? não é pra achar hilária essa vida ? me secaram as lágrimas e me despertaram as gargalhadas. Eu só tô é achando muito graça. Só isso.


música do dia: já foi - jota quest.
filme do dia: curtindo a vida adoidado.

Um comentário:

  1. Gostei do texto, bem expressivo e interessante, ao final dele quando li ..Então não é pra rir? não é pra achar hilária essa vida ? me secaram as lágrimas e me despertaram as gargalhadas. Eu só tô é achando muito graça. Só isso..
    lembrei de uma citação de Clarice Lispector.


    "Gosto dos venenos os mais lentos!
    As bebidas as mais fortes!
    Dos cafes mais amargos!
    E os delirios mais loucos.
    Voce pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
    E daí
    eu adoro voar!!!"


    Um Abraço

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