terça-feira, 18 de agosto de 2009

pássaro azul


Assisti esse final de semana um espetáculo construído a partir da obra do dramaturgo simbolista belga Maurice Maëterlinck. Uma fábula sobre dois pequenos irmãos que empreendem a busca mística do Pássaro Azul. Foi apresentado na mostra infantil do Sesi. Queria eu ter a cabecinha de uma criança para não entender absolutamente nada do que subliminarmente dizia. Mas eu entendi. Tudinho. Viajei pelo passado, presente e futuro. No deles. no Meu. Revi entes queridos, sonhei com saudade, com desejo. Percorri lugares não visitados e aproveitei para dar uma passada em alguns lugares que há tempos não ia, vajei, viajei, até deparar-me com o cantinho do sofá da minha alma. Na nossa casa a gente sempre tem aquele cantinho mais gostoso de se ficar. Aquele que você veste pijama furado e pantufas e fica jogado. Aquele que é só seu. Voei. Já cheguei a imaginar minha alma como um buquê de bexigas amarrados no meu corpo. Ás vezes um pouco mucha aceita a posição do chão. Mas pela sua essência, sua condição é mesmo voar. Se eu deixar, ela vive flutuando por aí. Ás vezes eu deixo, mas às vezes eu prefiro colocar meu chapéu de gaiola. Não acho ele bonito, nem gosto dele, me aperta, me agita, dói; mas uso por proteção nos dias de tempo ruim. Até que proteje um pouco, mas me atrapalha a visão. E aí que eu fico numa confusão enorme, porque se não uso o chapéu fico desprotegida, se deixo inflar ar aos meus balões corro o risco de cair de uma altura enorme. Sou meio traumatizada. Já levei altos tombos. E como o gato do ditado, eu também fiquei com medo de água fria. Tô com ele agora. Tá chovendo hoje e andei caindo de novo. Tô com alguns arranhões, algun roxos. Nada demais. Não quebrou nada dessa vez. Dá pra continuar com minha rotina sem problemas, quando dói eu já sei o que fazer. Já sou digamos, escolada. É só mais uma quedinha para a coleção. Se todas elas conseguissem me fazer perder a vontade de voar. Mas que nada. Não vejo a hora da dor passar, do roxo sumir. Do sol brilhar e eu alçar ao longe minhas teimosas asas.
Música do dia: Pássaros - Cláudia Leite.
Filme do dia: The Blue Bird (1940).

Um comentário:

  1. Asa teimosa, afinal vc é uma só. Co medidamente é na mesma medida...a sua é intensamente intensiosa e forte e estonteantemente rápida e tudo ao mesmo tempo agora...e se eu fosse comedido a vc seria da mesma forma, na mesma medida...e sou..ahahahahhaa do meu jeito mais tímido....eitaaaaaaaaaaa linda. Beijo

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