
depois da já familiar dispnéia suspirosa que eu acho uma graça (até parece coisa de apaixonado); depois do segundo banho e do corpo molhado encostado no meu pela já costumeira preguiça de não se enxugar direito, aos poucos foi se rendendo ao sono, encaixando o corpo grande na cama pequena. dá pra eu me esconder nas suas costas largas, e eu sempre me escondo, isso quando não são suas pernas pesadas que se lançam sobre mim. sono perturbado pela falta do ar... que não preenche direito. que não lhe é suficiente. como tantas coisas que não lhe são. e aí que enquanto dormia cuidei do seu sono. fiquei ali brincando com seu cabelo bagunçado e coçando de leve a barba por fazer. como ele fica doce dormindo. só dormindo. acordado seria a última coisa que seria. se tem uma verdade absoluta na qual acredito é que a gente só passa a ter certeza de que realmente quer bem alguém depois de descobrir seus piores defeitos. e aí que vendo ele dormindo ali eu me lembrei disso. e aí que dá vontade de não precisar dormir, nem acordar, nem levantar, nem mais nada. só para ficar ali aproveitando a doçura do seu sono. vontade de fazer sua vontade ser igual a minha. repousa em mim. descansa em mim. sossega em mim porque eu só quero é sossegar em você. chega de todo o resto. chega de ficar por aí questionando, perambulando, procurando, perdendo. porque não vejo maior vazio do que o acordar e levantar sem voltar pra casa e saber que alguém espera por você. não vejo maior delícia do que dormir assim abraçadinho depois de sentir a vontade de mim em mim. não vejo outra alegria que não uma boa surpresa no meio do dia de quem você gosta. daquele colo pra descansar quando nenhum outro poderia fazê-lo. daquela calma emprestada quando a sua se perdeu. tudo isso. tudo e mais um tanto. e aí que o seu sono também vai te vencendo. o dia vai amanhecendo. a doçura se desperta para a ansiedade caracteristica. o relógio desperta. a pressa chega. o depois a gente se fala.
e a gente sempre se fala.
na estrada o carro pesa com as vontades que eu carrego comigo. a vontade que ele tinha já se matou. e aí que tudo bem. foi bom para mim o amor que eu fiz. porque eu insisto que o importante é se fazer amor. e isso com certeza eu bem que fiz.
música do dia: a estrada - cidade negra.
filme do dia: Alfie o Sedutor.
Daitado nessa rede eu percebi que a estampa estava ali, bordada na rede. Era você, tão linda, a esparramar-se em cores, tingindo os fios. Era você, esparramada em mim, mesmo que a minha imagem em ação seja pura, imaginação.
ResponderExcluirBeijo